e se esta fosse a tua última noite?
sentiriam as aves antes de partires?
choraríamos nós quando deitassem o teu corpo no solo pesado?
se esta for a tua última noite
sabes
nada ficará na mesma a partir de hoje!
esta
é
una homenagem
ao homem que nos viu crescer na velha casa
dos desalinhos
às incansáveis cócegas
dos dejeitos de carinho
à dedicação por quem abriu o coração
a ti
que optaste por entrar
numa nova vida
longe dum passado
que talvez viva apenas na memória que tiveste outrora
se esta for a tua última noite
leva contigo recordações doces de quem te vê partir
se esta for a tua última noite
que se ergam as sementes que plantaste
e cresçam flores na nossa memória
para nos colorirem a alma
por tudo o que interessa recordar
se esta for a tua última noite
sei que levas contigo a beleza deste mar azul
e o farol da noite
a Lua
seria o teu guia
para as portas
dum céu tranquilo
onde te aguarda a paz
por todos os instantes
e todos os gestos
de todo o teu coração
escondido por detrás
desta prisão da vida não fácil
cheia de opções
por vezes sem direcção
se esta for a tua última noite na Terra
que se soltem os pirilampos
que o vento te leve
e te traga
sempre que volte
e nos faça recordar
se esta for a tua última noite
vai
e descansa
Muito mais do que uma dissertação pública do sentir este local é um manifesto, onde a mensagem poderá ser explicita, implicita de forma mais, ou menos, directa.
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Thursday, February 17, 2011
Tuesday, January 25, 2011
sorri
nega-me o pão, o ar
a luz, a primavera
a luz, a primavera
o sol, o verão
a lua e as estrelas
mas nunca o teu sorriso
porque então
mas nunca o teu sorriso
porque então
morreria
Monday, January 24, 2011
já a noite caiu. eu estou aqui sozinho
no carro, fechado
ninguém comigo
nada
por detrás das janelas, vazias
sonho
sonhos que existem em mim
para lá das janelas
o mar
ninguém comigo
nada
nem o bater das ondas
nem a espuma
nem a frescura da água
nem o calor do incêndio
nada
o mundo passa lá fora
o vento e a brisa
os peixes mortos e os vivos
os navios que partem e os que chegam
ouço lá fora
os gritos
as gargalhadas
confidências de amor do carro do lado
o canto dos passarinhos nocturnos
o ruído que passa
todos passam lá fora
e comigo
ninguém, nada
e os gritos de ódio
e a raiva que escorre pelos cantos da boca
seres vazios
homens vazios
que riem ou que choram
a beleza dos astros
todos lá fora
todos para além de mim
e para dentro de mim
e comigo
ninguém, nada
não tenho fome
nem frio
nem gozo nem vivo
sofro e amo
e estou preso
nesta prisão que criei
porque eu me prendi
porque me prenderam
porque não quero seguir caminhos já feitos
trilhos abertos
porque não quero ter compaixão
por quem não possa socorrer
porque não quero mais lutar
nas inconstâncias do ser
porque não quero a vossa luz
nem o vosso caminho
nem a luz
nem o caminho
NEM esquecer
prefiro a escuridão desta minha prisão
ficar fechado neste sonho
só quero sonhar
aqui
onde não chega o barulho do mar
e aqui
ninguém comigo, NADA
só a escuridão
e nada aqui entra
neste sonho em que me prendi
no carro, fechado
ninguém comigo
nada
por detrás das janelas, vazias
sonho
sonhos que existem em mim
para lá das janelas
o mar
ninguém comigo
nada
nem o bater das ondas
nem a espuma
nem a frescura da água
nem o calor do incêndio
nada
o mundo passa lá fora
o vento e a brisa
os peixes mortos e os vivos
os navios que partem e os que chegam
ouço lá fora
os gritos
as gargalhadas
confidências de amor do carro do lado
o canto dos passarinhos nocturnos
o ruído que passa
todos passam lá fora
e comigo
ninguém, nada
e os gritos de ódio
e a raiva que escorre pelos cantos da boca
seres vazios
homens vazios
que riem ou que choram
a beleza dos astros
todos lá fora
todos para além de mim
e para dentro de mim
e comigo
ninguém, nada
não tenho fome
nem frio
nem gozo nem vivo
sofro e amo
e estou preso
nesta prisão que criei
porque eu me prendi
porque me prenderam
porque não quero seguir caminhos já feitos
trilhos abertos
porque não quero ter compaixão
por quem não possa socorrer
porque não quero mais lutar
nas inconstâncias do ser
porque não quero a vossa luz
nem o vosso caminho
nem a luz
nem o caminho
NEM esquecer
prefiro a escuridão desta minha prisão
ficar fechado neste sonho
só quero sonhar
aqui
onde não chega o barulho do mar
e aqui
ninguém comigo, NADA
só a escuridão
e nada aqui entra
neste sonho em que me prendi
Wednesday, January 19, 2011
orgulho
orgulho-me de ti
no teu eu, porque te chamas assim
no teu eu, porque és assim
orgulho-me de ti
quando sorris
quando os teus olhos brilham
e o horizonte não tem fim
quando mordes os lábios
e o coração palpita
orgulho-me de ti
quando sonhas
quando caminhas
quando alcanças
orgulho-me de ti
no teu jeito de quem sabe o que quer
no teu jeito de quem passou sem se ver
orgulho-me de ti
pela forma como dás
pela forma como amas
pela forma como te revoltas
pela forma como recebes
orgulho-me de ti
por ti
no teu eu, porque te chamas assim
no teu eu, porque és assim
orgulho-me de ti
quando sorris
quando os teus olhos brilham
e o horizonte não tem fim
quando mordes os lábios
e o coração palpita
orgulho-me de ti
quando sonhas
quando caminhas
quando alcanças
orgulho-me de ti
no teu jeito de quem sabe o que quer
no teu jeito de quem passou sem se ver
orgulho-me de ti
pela forma como dás
pela forma como amas
pela forma como te revoltas
pela forma como recebes
orgulho-me de ti
por ti
Monday, January 17, 2011
terra dos sonhos
nesta noite queria partir
não sei para onde
a minha mão tímida procurou acabar
a carícia
de um carinho inacabado
e os meus olhos procuraram
para além dos teus
a ternura de que sentem falta
não sei para onde
sei que queria partir
para não sei onde
onde o querer é sonho
e o sonho é existir
não sei para onde
a minha mão tímida procurou acabar
a carícia
de um carinho inacabado
e os meus olhos procuraram
para além dos teus
a ternura de que sentem falta
não sei para onde
sei que queria partir
para não sei onde
onde o querer é sonho
e o sonho é existir
Friday, January 7, 2011
A Noite na Ilha
“Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
em baixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora - pão,
vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.”
Pablo Neruda
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
em baixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora - pão,
vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.”
Pablo Neruda
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